HelpClinic

Apoio diário nas dependências entre consultas

Escolhe um próximo passo quando o álcool, as drogas, as apostas ou as redes sociais tomam conta do dia.

Usa exercícios breves de respiração, escrita num diário, terapia cognitivo-comportamental (TCC) e terapia de aceitação e compromisso (ACT) quando a vontade de consumir álcool ou drogas, apostar ou percorrer as redes sociais, ou os sentimentos de vergonha, se intensificam. Depois, cria uma rotina para os serões difíceis e as situações que despertam esses impulsos. O guia de inteligência artificial (IA) sugere a próxima ferramenta, mas não é um terapeuta nem um serviço de apoio em crise e pode não reconhecer uma crise. Para teres mais apoio, podes marcar uma sessão individual com um profissional para um horário disponível.

Apoio quando a vontade aperta

24/7
Um exercício de 3 minutos para observar a vontade e os impulsos
duração do exercício
3 min

Faz uma pausa, identifica o impulso e escolhe o próximo passo concreto.

Dificuldades mais comuns

  • Vontade de beber álcool
  • Consumo de drogas
  • Vontade de apostar
  • Hábitos de videojogos
  • Consumo compulsivo de pornografia
Há outras pessoas a passar por isto
Começa ao teu ritmo

Desenvolvido com psicólogos e a Universidade Médica de Łódź.

Textos breves para ajudar a começar

Como atravessar uma onda de vontade intensa sem ceder

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Uma vontade intensa pode começar por uma sensação no corpo, uma imagem mental ou uma discussão súbita contigo próprio. Podes notar um aperto na garganta, inquietação nas mãos ou vontade de te aproximares da substância ou do comportamento antes de tomares uma decisão consciente. A vergonha pode surgir logo a seguir: «Já devia ter ultrapassado isto» ou «Já estraguei tudo». Trata este momento como algo que está a acontecer agora, em vez de o tomares como prova de quem és. Diz: «A vontade está aqui. Não tenho de decidir o resto do dia enquanto ela está tão forte».

Põe um temporizador para três minutos e identifica o que está a acontecer sem lutar contra isso: «Isto é uma onda de vontade intensa, não é uma ordem». Apoia os dois pés no chão ou pressiona-os contra outra superfície firme. Localiza onde sentes mais o impulso, talvez na garganta, na barriga ou nas mãos. Descreve a sensação mentalmente com palavras simples: aperto, calor, vazio, formigueiro, peso ou movimento. Se não conseguires identificar uma sensação, nomeia antes algo que consigas observar: «Os meus pensamentos estão acelerados» ou «Estou sempre a olhar para a porta». Respira de forma regular, sem tentar fazer desaparecer a vontade.

A cada trinta segundos, volta a observar. Pergunta a ti próprio: «Mudou de sítio? A intensidade mudou? Está mais aguda, mais difusa, mais quente ou menos constante?». Estás a recolher observações, não a exigir uma melhoria. Imagina que observas uma onda a subir, a rebentar e a baixar ao seu próprio ritmo. Se a tua mente disser «Tenho de fazer isto agora», responde: «Estou a ter o pensamento de que tenho de o fazer». Se disser «Isto nunca vai parar», experimenta: «É isso que a minha mente está a prever enquanto a vontade está aqui». Depois, volta a atenção para os pés, a respiração e o corpo.

Quando o temporizador tocar, adia a decisão por mais dez minutos. Muda logo de ambiente, antes de começares a discutir contigo próprio. Vai para um local sem acesso à substância ou ao comportamento. Isso pode significar sair de uma divisão, afastar-te de um dispositivo ou sentar-te num local público ou partilhado onde seja mais difícil agir por impulso. Bebe água. Decide apenas o que vais fazer durante este pequeno intervalo. Podes dizer: «Não estou a fazer uma promessa para o dia inteiro. Vou esperar mais dez minutos e depois volto a avaliar».

Contacta uma pessoa que tenhas escolhido antecipadamente. Envia uma mensagem direta que explique o que precisas: «Estou com muita vontade de ceder. Fica comigo durante dez minutos enquanto esta onda passa, por favor». Se falar for difícil, envia: «Não precisas de resolver isto. Continua a responder enquanto vou para um lugar mais seguro, por favor». Se a pessoa perguntar o que ajudaria, responde de forma concreta: «Pergunta-me onde estou, se já me afastei do acesso e o que vejo à minha volta». Se não responder, contacta outra pessoa ou vai para um local com outras pessoas. Repete os três minutos de observação e mais dez minutos de adiamento, em vez de ficares à espera junto ao telemóvel.

Adapta o plano à vida que realmente tens. Se vives sem companhia, escreve as mensagens antecipadamente e identifica um local para onde possas ir e onde haja outras pessoas. Se não tens família por perto, escolhe alguém que possa manter o contacto por chamada ou mensagem. Se trabalhas por turnos, diz à pessoa de apoio quando a vontade costuma surgir e pergunta se pode responder por essas alturas. Se o dinheiro é pouco, usa ações que não exijam compras: muda de divisão, afasta-te do acesso, bebe água e envia a mensagem preparada. Se o idioma é uma barreira, escreve o pedido na língua em que te sentes mais à vontade e guarda-o num local onde o encontres rapidamente.

Por vezes, a primeira tentativa não reduz a vontade. Podes continuar a sentir um impulso forte para agir, ou sair do local mais seguro e voltar a aproximar-te do acesso. Encara isso como um sinal de que o plano precisa de uma resposta mais imediata. Muda novamente de local, contacta outra pessoa e diz: «A vontade continua forte e o meu primeiro plano não resultou. Preciso que mantenhas o contacto enquanto me afasto mais». Repete intervalos curtos. Se já cedeste ao impulso, não deixes que a espiral de vergonha decida o que acontece a seguir. Diz: «Isto aconteceu. Ainda posso contactar alguém e explicar exatamente o que fiz e o que preciso agora».

Procura um profissional de saúde mental quando a vontade intensa continua a interromper o sono, o trabalho, as relações ou as consultas, quando o teu plano de adiamento breve falha repetidamente ou quando começas a esconder o que se passa das pessoas que te apoiam. Leva informações observáveis: quando surgiu a vontade, o que sentiste no corpo, a que tinhas acesso, que passos tentaste e o que aconteceu depois. Podes dizer: «Está a ser cada vez mais difícil adiar a resposta à vontade, e é esta a frequência com que ela interfere no meu dia. Preciso de ajuda para preparar um plano para estes momentos». Se houver risco de sobredosagem, sintomas graves de abstinência ou outro perigo imediato, procura ajuda médica urgente ou os serviços de emergência.

Quando as apostas, os videojogos ou as redes sociais dominam o dia

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Abres uma aplicação de apostas online para ver um resultado e fazes mais uma aposta. Continuas um videojogo para lá da hora em que querias parar, ou o teu polegar continua a atualizar as redes sociais enquanto a comida, o sono, as mensagens ou o trabalho ficam à espera. Depois, podes esconder os gastos, minimizar o tempo passado ou prometer que amanhã será diferente. Não precisas de dar um nome ao problema antes de agir. Começa pelo que consegues observar: perdeste o controlo, a atividade passou à frente de algo importante ou continuou apesar de consequências que não querias.

Antes do próximo período difícil, escreve a sequência sem a transformar numa pontuação ou num teste. Anota o que aconteceu imediatamente antes de abrires a aplicação ou o site, o que sentiste, que dispositivo ou meio de pagamento estava ao alcance, como o tempo ou o dinheiro foram afetados e o que ficou por fazer. Um registo útil pode ser: «Saí do trabalho com tensão, abri a aplicação de apostas na cama, gastei dinheiro destinado a comida e perdi horas de sono». Para videojogos ou redes sociais, pode ser: «Peguei no telemóvel depois de uma discussão, perdi a noção do tempo durante o serão e não respondi a uma pessoa de quem gosto». Este registo é uma descrição, não um diagnóstico.

A seguir, torna a primeira ação menos automática. Termina a sessão antes da hora em que o impulso costuma surgir, remove os dados de pagamento guardados, desliga as notificações, deixa o dispositivo fora da divisão ou usa definições que limitem o acesso. Para jogos de azar e apostas, decide com alguém em quem confies como reduzir o acesso imediato ao dinheiro sem impedir o pagamento da renda, da comida, dos transportes ou de outras necessidades essenciais. Para videojogos, escolhe um ponto de paragem antes de abrir o jogo e prepara o que vais fazer a seguir. Para o telemóvel e as redes sociais, deixa o aparelho num local onde ir buscá-lo exija um movimento deliberado. O objetivo é criar uma pausa entre o impulso e a ação habitual.

Quando o impulso chegar, não tentes decidir o serão inteiro. Afasta-te do ecrã ou do local, apoia os dois pés no chão e identifica o que está a acontecer: «Quero abrir a aplicação e vou adiar essa decisão por dez minutos». Repara onde sentes o impulso no corpo e descreve-o com palavras comuns, como aperto, inquietação, calor ou peso. Respira devagar e começa uma atividade já preparada, como comer, tomar banho, caminhar num local seguro ou telefonar a alguém. No fim do intervalo, decide apenas se vais repetir o adiamento e criar mais distância.

Diz a outra pessoa exatamente que ajuda seria útil. Podes enviar: «Voltei a abrir a aplicação de apostas e preciso de ajuda para a fechar antes de gastar mais» ou «Estou a jogar há mais tempo do que tinha planeado. Fica ao telefone enquanto termino a sessão e vou comer, por favor». Para as redes sociais, experimenta: «Estou sempre a voltar às redes sociais e já perdi quase todo o serão. Podes trocar mensagens comigo enquanto deixo o telemóvel noutra divisão?». Se o dinheiro foi afetado, diz isso claramente em vez de dar uma garantia vaga: «Gastei dinheiro que tinha reservado para outra coisa e preciso de ajuda para dificultar o acesso esta noite».

A primeira mudança pode não se manter. Podes voltar a iniciar sessão, retirar um limite, regressar ao dispositivo ou evitar enviar a mensagem que preparaste. Encara isso como nova informação sobre o ponto em que o plano falhou. Fecha novamente a aplicação, muda de local e contacta a pessoa seguinte da tua lista. Diz: «O meu primeiro plano não resultou e estou a tentar de novo, com mais distância do dispositivo». Se já gastaste mais tempo ou dinheiro do que pretendias, regista o que aconteceu e protege a próxima necessidade concreta, em vez de usar a vergonha como motivo para continuar.

Ajusta o plano às tuas circunstâncias. Se vives sem companhia, combina um contacto antes da hora em que o impulso costuma surgir e identifica um local partilhado ou público onde possas passar parte do serão em segurança. Se não tens família por perto, escolhe uma pessoa amiga ou outro contacto de confiança que possa responder à distância. Se trabalhas por turnos, planeia em função das horas depois do turno, em vez de uma hora fixa do relógio. Se o dinheiro é pouco, usa mudanças que não custem nada, como terminar a sessão, mudar o dispositivo de sítio e enviar uma mensagem preparada. Se o idioma é uma barreira, escreve o pedido na língua em que te sentes mais à vontade e pergunta ao serviço se permite comunicação escrita ou disponibiliza apoio linguístico.

Procura um profissional quando perdes repetidamente o controlo do tempo ou do dinheiro envolvidos, o comportamento continua a substituir o sono, o trabalho ou as relações, o segredo aumenta ou o plano para limitar o acesso falha repetidamente. Leva as tuas notas e diz: «É nestas alturas que acontece, é isto que me está a custar e são estas as mudanças que tentei». O teu médico de família ou outro médico pode ser um ponto de partida. Em Portugal, podes consultar o ICAD para encontrar apoio especializado ou perguntar ao teu médico de família que serviços existem perto de ti. A HelpClinic disponibiliza exercícios breves de autoajuda e um guia de IA que sugere a próxima ferramenta e ajuda a criar uma rotina diária antes das consultas e entre elas. As sessões com um profissional dependem do país e da disponibilidade do serviço. Não é terapia nem tratamento.

Consumo compulsivo de pornografia sem vergonha

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É tarde, tens vários separadores abertos e já passou a hora em que pretendias parar de ver pornografia. Fechas os separadores, voltas a abri-los e dizes a ti próprio que será a última vez esta noite. O sono, o trabalho ou o contacto com alguém próximo ficam de lado, e podes começar a esconder o que aconteceu. Concentra-te primeiro nesses factos observáveis. O consumo compulsivo de pornografia não equivale a um diagnóstico de dependência, e a vergonha ou a reprovação moral, por si só, não demonstram a existência de um problema clínico.

Escreve um relato breve do que aconteceu, sem registar detalhes explícitos. Anota a hora e o local, o que sentiste antes, como começaste a ver, quando quiseste parar pela primeira vez, o que dificultou a paragem e o que ficou por fazer. Podes escrever: «Senti rejeição depois de uma conversa, levei o telemóvel para a cama, continuei depois de decidir parar e perdi horas de sono». Outro registo pode ser: «Comecei enquanto evitava trabalhar, perdi a noção do tempo e depois escondi o histórico do navegador da pessoa com quem tenho uma relação». Estes detalhes ajudam-te a perceber a sequência sem a transformar num teste ou num julgamento sobre quem és.

Muda as condições desta noite antes de surgir outro impulso. Fecha as páginas abertas, termina a sessão, remove favoritos ou ligações guardadas e deixa o dispositivo fora do local onde costumas começar a ver. Se te parecer útil, usa definições do dispositivo ou do navegador que acrescentem uma barreira. Depois, prepara uma ação comum que possas iniciar logo: comer, tomar banho, ir para outra divisão, terminar uma pequena tarefa ou sentar-te num espaço partilhado. Se precisas do dispositivo para trabalhar ou por segurança, mantém o acesso a essas funções e muda apenas o que conseguires mudar em segurança.

Quando o impulso voltar, adia a abertura de qualquer conteúdo por um intervalo curto. Diz: «Estou a notar vontade de ver pornografia. Vou esperar dez minutos antes de tomar outra decisão». Concentra-te numa sensação física, no contacto dos pés com o chão ou nos sons à tua volta. O objetivo não é provar que o impulso desapareceu. É atravessar os minutos que tens pela frente enquanto o dispositivo permanece fora do alcance. Se o impulso continuar forte, repete o intervalo noutro local e contacta uma pessoa que tenhas escolhido antecipadamente.

O segredo pode dificultar uma relação, mas falar sobre o assunto não exige um relato detalhado nem um pedido de perdão imediato. Escolhe um momento calmo e diz: «Tenho visto pornografia durante mais tempo do que pretendia, repetidamente, e tenho escondido isso. Está a afetar o nosso sono e a confiança. Quero falar com honestidade e procurar ajuda profissional». Se precisas de estabelecer um limite na conversa, acrescenta: «Vou responder a perguntas razoáveis, mas não quero descrever conteúdos explícitos». Ouve a resposta da outra pessoa sem lhe pedir que controle todos os impulsos ou vigie todos os dispositivos.

Se a primeira tentativa não resultar, descreve o ponto em que o plano falhou em vez de o abandonar. Podes ir buscar o dispositivo, alterar uma definição ou voltar a ver pornografia depois de fechar a página. Para no momento em que conseguires, volta a afastar o dispositivo e escreve: «Voltei a ver pornografia depois do primeiro adiamento. O ponto vulnerável foi levar novamente o telemóvel para a cama». Envia uma mensagem preparada, como: «O meu plano não resultou esta noite. Podes manter o contacto enquanto vou para outra divisão e o reorganizo?». As tentativas repetidas sem sucesso são informação útil para levar a um profissional, não uma prova de que mereces sentir vergonha.

Adapta o plano à tua vida real. Se vives sem companhia, combina uma mensagem ou chamada concreta e escolhe um local fora do ambiente onde costumas ver pornografia para passar o período difícil. Se não tens família por perto, ou se a família não seria uma fonte segura de apoio, escolhe uma pessoa amiga de confiança ou um profissional. Se trabalhas por turnos, identifica o período mais vulnerável depois de acordar ou sair do trabalho, em vez de pressupor que acontece à noite. Se o dinheiro é pouco, usa definições gratuitas do dispositivo, muda de divisão e prepara mensagens antecipadamente. Se o idioma é uma barreira, escreve o relato na língua em que consegues ser mais preciso e pergunta se um profissional pode comunicar nessa língua ou por escrito.

Fala com um profissional quando continuas a ver pornografia durante mais tempo do que pretendias, as tentativas de reduzir continuam a falhar, o segredo aumenta ou o sono, o trabalho, o dinheiro ou as relações estão a ser afetados. Leva informações observáveis e diz: «Continuo a voltar à pornografia depois de decidir parar e é isto que fica para trás. Quero ajuda para compreender o padrão e mudar a minha resposta». O teu médico de família ou outro médico pode ajudar-te a decidir por onde começar. Também podes marcar uma sessão com um profissional. A HelpClinic disponibiliza exercícios breves de autoajuda e um guia de IA que sugere a próxima ferramenta e ajuda a criar uma rotina diária antes das consultas e entre elas, além de sessões individuais com um profissional, mediante marcação. Não faz diagnósticos nem presta tratamento.

Uma recaída não é um fracasso: o que fazer na manhã seguinte

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Na manhã seguinte a uma recaída, a vergonha pode surgir antes de perceberes o que se está a passar. Põe a culpa de lado pelo tempo necessário para agir. Não conduzas nem mistures substâncias. Se consomes diariamente ou já tiveste sintomas de abstinência, procura rapidamente orientação médica sobre os próximos passos seguros, em vez de planeares uma interrupção abrupta por tua conta. Interrompe comportamentos de risco quando o puderes fazer em segurança. Afasta-te do local, dispositivo, dinheiro ou outro acesso relacionado com o que aconteceu. Se não conseguires retirar o acesso em segurança, deixa-o onde está e contacta alguém em quem confies. A tarefa imediata é reduzir o risco de a recaída continuar, com orientação médica quando houver risco de abstinência.

A seguir, verifica como estás fisicamente e se existem sintomas preocupantes. Não tentes decidir por tua conta se um sintoma é inofensivo, nem adivinhar como se manifesta uma abstinência grave. Pergunta ao profissional ou à equipa que acompanha o teu tratamento, ou a um serviço local de apoio nas dependências. Se houver risco de sobredosagem, sintomas graves de abstinência ou perigo imediato, chama os serviços de emergência. Podes dizer: «Tive uma recaída. Estou preocupado com o que se está a passar agora e preciso de ajuda para decidir o próximo passo seguro».

Depois de assegurada a segurança imediata, faz um contacto antes de começares a explicar ou a pedir desculpa. Escolhe o profissional ou a equipa que acompanha o teu tratamento, alguém em quem confies ou um serviço local de apoio nas dependências. Envia: «Tive uma recaída ontem à noite. Por agora, parei e não estou a conduzir. Podes falar comigo e ajudar-me a preparar um plano para hoje?». Se o consumo ou o comportamento de risco continua, diz isso claramente: «Ainda está a acontecer e preciso de ajuda para interromper o próximo passo».

Quando estiveres suficientemente estável para escrever, regista apenas a sequência. O que aconteceu antes? Que pensamento ou emoção surgiu? Onde estavas? O que facilitou o acesso? Escreve «Depois de uma discussão, fiquei sozinho com dinheiro», em vez de «Estraguei tudo». Depois, anota o primeiro momento em que outra escolha poderia ter sido possível, como contactar alguém, sair do local ou retirar o acesso. Estás a recolher detalhes que podem mudar o plano, não a reunir provas contra ti.

Escolhe uma mudança para hoje. Retira o acesso, pede a alguém que mantenha o contacto durante a parte difícil do dia, volta a uma reunião de grupo ou organiza apoio profissional. Faz um pedido específico: «Contacta-me esta noite, por favor. Espero que essa altura seja difícil e quero dizer-te com honestidade o que se passa». Planeia a próxima refeição, o próximo período de sono e uma atividade tranquila. Evita o esforço excessivo, os castigos e as grandes promessas. O plano precisa de um ajuste; o trabalho que já fizeste não desapareceu.

Se vives sem companhia ou não tens família por perto, o apoio não tem de significar alguém ficar em tua casa. Pede a uma pessoa de confiança que telefone a horas combinadas, fique na chamada enquanto retiras o acesso ou se encontre contigo num local tranquilo. Diz: «Vivo sem companhia e preciso de contacto hoje. Podes ligar depois de eu acordar e outra vez antes da hora em que costumo ter mais dificuldades?». Se trabalhas por turnos, considera o período depois de acordar como a tua manhã e combina contacto antes da parte mais difícil do dia.

Se o dinheiro é uma barreira, diz isso logo no início, em vez de adiar o contacto: «Preciso de apoio depois de uma recaída, mas não posso pagar algo que está fora das minhas possibilidades. Diga-me, por favor, que ajuda posso obter na minha situação». Pergunta ao profissional ou à equipa que acompanha o teu tratamento, ou a um serviço local de apoio nas dependências. Se te custa falar na língua usada pelo serviço quando estás sob stress, diz: «Tenho dificuldade em comunicar nesta língua quando estou em sofrimento. Use frases curtas e escreva os próximos passos numa mensagem, por favor, para eu conseguir segui-los».

Se a primeira pessoa não responder, contacta a seguinte ou o serviço local de apoio nas dependências. Se não conseguires retirar o acesso, pede ajuda a alguém em quem confies ou afasta-te dele. Se não conseguires ir a uma reunião, faz um contacto e organiza apoio profissional, em vez de abandonar o plano inteiro. Reduz a tarefa até ser possível: envia a mensagem, combina a chamada, faz a próxima refeição ou prepara um local para dormir. Uma primeira tentativa falhada significa que o plano precisa de outra ação, não de mais uma ofensa contra ti.

Envolve o profissional ou a equipa que acompanha o teu tratamento, ou um serviço local de apoio nas dependências, quando a recaída continua ou recomeça, quando não consegues seguir os passos de segurança combinados, quando a vontade intensa se sobrepõe repetidamente à mudança planeada para hoje ou quando o padrão interfere nas refeições, no sono, no trabalho, nas reuniões ou nas consultas. São mudanças observáveis, por isso não precisas de te diagnosticar. Diz: «A recaída continuou, o meu plano não está a resultar e preciso de ajuda profissional para o ajustar». Se surgirem sintomas preocupantes, ou houver risco de sobredosagem, sintomas graves de abstinência ou perigo imediato, chama os serviços de emergência em vez de esperar pela próxima consulta.

Vergonha e dependência: por que esconder torna tudo mais difícil

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A vergonha costuma fazer-se sentir com mais força imediatamente antes ou depois de um momento difícil. Podes esconder uma vontade intensa, minimizar quanto bebeste ou consumiste, ocultar gastos ligados a um comportamento ou evitar alguém porque tiveste uma recaída. Podes apagar mensagens, inventar uma explicação ou prometer a ti próprio que vais tratar disso amanhã. Depois, o segredo cria outro problema: ninguém sabe que precisas de apoio. Repara na primeira ação de ocultação sem discutir contigo próprio sobre o que significa. Escreve uma frase simples sobre o que está a acontecer, como «Estou com muita vontade de consumir esta noite» ou «Tive uma recaída ontem e estou a evitar contar a alguém».

Antes de falar sobre o assunto, faz um mapa de apoio seguro. Lista contactos profissionais e pessoais que consigam ouvir sem ridicularizar, ameaçar, pressionar ou usar a informação contra ti. Ao lado de cada nome, escreve como podes contactar essa pessoa e que tipo de ajuda seria razoável pedir. Uma pessoa pode conseguir falar durante 10 minutos, outra pode ajudar-te a contactar um profissional, e um grupo pode ser mais fácil do que uma conversa a sós. Não incluas pessoas junto das quais não te sentes em segurança. Se a primeira escolha não estiver disponível, o mapa deve indicar quem vais contactar a seguir, para não teres de decidir isso quando a vergonha ou a vontade estão muito intensas.

Escolhe uma pessoa, um meio de contacto e uma hora. Uma mensagem pode ser mais fácil se ficares sem conseguir falar. Podes escrever: «Preciso de te contar uma coisa difícil. Podemos falar em privado esta noite?». Se esperar parece aumentar a probabilidade de voltares a esconder o assunto, envia uma mensagem mais curta: «Estou a ter dificuldade com a vontade de consumir e preciso de contacto agora. Podes falar?». Escolhe um local onde possas falar sem que outras pessoas ouçam. Mantém à tua frente a frase que escreveste. O objetivo é contar uma coisa com honestidade e fazer um pedido claro, não relatar todos os acontecimentos.

Usa três partes: o facto, o efeito e o pedido. Podes dizer: «Voltei a consumir ontem. A vergonha dá-me vontade de esconder isso. Preciso que fales comigo esta noite e me ajudes a contactar um profissional». Para o álcool, podes dizer: «Voltei a beber e tenho fingido que nada aconteceu. Preciso de ajuda para fazer o próximo contacto». Para gastos ou outro comportamento, experimenta: «Voltei a gastar dinheiro nisto e tenho escondido o assunto. Fica ao telefone enquanto escrevo a um profissional, por favor». Se não conseguires dizer a mensagem inteira, começa por: «Tenho medo de que me julgues, mas preciso de te contar o que aconteceu». Podes terminar depois do pedido.

Explica à pessoa como seria uma resposta útil. Experimenta: «Ouve primeiro, por favor. Não te estou a pedir que resolvas tudo» ou «Não me perguntes todos os detalhes esta noite, por favor. Ajuda-me a decidir quem contactar a seguir». Se começar a criticar, estabelece um limite: «Percebo que isto te incomoda. Não consigo continuar esta conversa enquanto me insultas». Depois, termina a chamada ou sai, se essa for a opção mais segura. A reação da pessoa não prova que foi errado pedir ajuda. Volta ao teu mapa de apoio seguro e contacta a pessoa, grupo ou serviço profissional seguinte com uma mensagem direta: «A minha primeira tentativa de pedir ajuda correu mal. Continuo a precisar de apoio esta noite».

Adapta o plano ao que está realmente disponível. Se vives sem companhia, combina uma chamada ou mensagem concreta em vez de esperar que alguém repare nas tuas dificuldades. Se não tens família por perto, escolhe uma pessoa amiga, um grupo, um serviço profissional ou outro contacto de confiança que possa responder à distância. Se trabalhas por turnos, escreve quem está contactável antes, durante e depois do turno e adapta o pedido a esse período: «Saio tarde. Podes contactar-me quando eu sair do trabalho?». Se o dinheiro é uma barreira, diz isso logo ao contactar um serviço profissional e pergunta que opções existem. Se o idioma é uma barreira, prepara o que queres contar na língua em que consegues ser mais claro e envia por escrito, se for mais fácil. Podes perguntar: «Podemos comunicar por escrito?» ou «Em que línguas é possível comunicar?».

Depois de receberes uma resposta segura, combina um próximo contacto antes de terminar a conversa. Regista a pessoa, o meio de contacto e a hora na tua agenda. Diz: «Vou contactar um profissional amanhã. Posso enviar-te uma mensagem depois de o fazer?». Se não cumprires esse passo, não o escondas. Envia: «Não fiz o contacto que combinámos. Estou a contar-te porque sinto que me estou a isolar outra vez. Podemos escolher já outra hora?». Se a pessoa não responde repetidamente, continua a falhar o combinado ou te faz sentir menos segurança, substitui esse contacto no mapa. Mantém o pedido pequeno e específico, para que a outra pessoa possa responder sim ou não.

Procura um profissional quando observas que está a ser cada vez mais difícil conter o problema: continuas a ter recaídas depois de tentar parar, a vontade intensa interrompe repetidamente o sono ou o trabalho, o segredo e os gastos aumentam, ou não consegues cumprir responsabilidades habituais por causa do álcool, de substâncias ou de um comportamento. Faz esse contacto mais cedo se não tens apoio pessoal ou se todas as tentativas de falar acabam em mais segredo. Escreve o que aconteceu, quando aconteceu, o que estás a sentir agora e de que ajuda precisas. Depois, pergunta ao profissional o que fazer a seguir. Se receias violência, sobredosagem, sintomas graves de abstinência ou fazer mal a ti próprio, procura ajuda profissional ou de emergência com urgência. Se não conseguires fazer o contacto sem ajuda, envia a alguém a frase que preparaste e pede que fique contigo enquanto o fazes.

Um plano para as horas difíceis do serão

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As horas difíceis podem começar quando o trabalho termina, a casa fica silenciosa ou as pessoas com quem contas deixam de estar disponíveis. Um percurso habitual, uma discussão, uma divisão vazia, dinheiro no bolso ou uma aplicação no telemóvel podem iniciar o ciclo. Podes dizer a ti próprio que esta noite será diferente e depois começar a negociar à medida que a vontade aumenta. Prepara-te antes do serão, enquanto é mais fácil decidir. Escreve o plano num local visível, em vez de esperar que te lembres dele sob pressão.

Divide as horas difíceis em três períodos curtos. Atribui a cada período uma atividade clara que possas começar sem pensar muito: fazer uma refeição, tomar banho, caminhar num local seguro, ver um filme com alguém ou ir a uma reunião de grupo. Escreve as atividades por ordem e prepara o que cada uma exige. Deixa a comida ao alcance, escolhe o filme, verifica o percurso e organiza transporte seguro. O objetivo é tornar óbvia a próxima ação quando for difícil concentrar-te.

Reduz o acesso fácil antes de começarem as horas difíceis. Retira o que facilita o consumo e evita o local, percurso ou aplicação que costuma iniciar o ciclo. Se não conseguires afastar algo que desperta o impulso, cria distância ou uma interrupção. Sai da divisão, segue outro percurso ou termina a sessão na aplicação. Podes escrever: «Sei que este percurso começa a mesma discussão na minha cabeça, por isso esta noite vou pelo outro». Avisa antes do serão quem for afetado pela mudança, para não teres de explicar enquanto estás com dificuldades.

Acrescenta duas regras «se, então» com ações que consigas realmente fazer. Por exemplo: «Se a vontade chegar ao ponto em que começo a negociar comigo próprio, então vou para um local bem iluminado e telefono à Anna». A mensagem pode ser direta: «Estou com muita vontade de consumir e preciso que fiques ao telefone enquanto começo o meu plano». A segunda regra pode ser: «Se ninguém responder, contacto o meu grupo ou uma linha de apoio». Prepara antecipadamente os números, a água, a comida e o transporte seguro.

Quando o impulso chegar, segue os passos pela ordem escrita. Primeiro, adia qualquer decisão por dez minutos. Faz seis expirações longas e começa a primeira atividade, mesmo que a vontade não tenha desaparecido. Não discutas contigo próprio se o serão inteiro vai resultar. Concentra-te na ação que já está escrita. Quando esse período terminar, assinala apenas «feito» e passa ao seguinte. Se precisas de contacto, envia: «Não preciso de conselhos agora. Ajuda-me a seguir o meu plano até terminar este período, por favor».

A primeira atividade pode não resultar. Podes terminar o passeio mais cedo, parar o filme ou descobrir que ninguém responde. Encara isso como um sinal para usar a próxima ação preparada, não como motivo para desistir do serão. Vai para o local bem iluminado, contacta o teu grupo ou a linha de apoio e começa outra atividade escrita. Se já foste para o local habitual ou abriste a aplicação habitual, interrompe o ciclo no ponto em que estás. Diz: «Afastei-me do plano, mas ainda posso dar agora o próximo passo que escrevi».

Adapta o plano à vida que realmente tens. Se vives sem companhia, combina um contacto e diz à pessoa o que queres que faça se lhe ligares ou escreveres. Se não tens família por perto, escolhe alguém do teu grupo ou outro contacto de confiança. Se trabalhas por turnos, usa «serão» para designar as horas difíceis depois do turno, seja qual for a hora do relógio. Se o dinheiro é pouco, escolhe atividades e locais seguros que não exijam gastos. Se o idioma é uma barreira, prepara uma mensagem curta antecipadamente: «Preciso de apoio para lidar com uma vontade intensa de consumir. Fale devagar e ajude-me a seguir o plano que escrevi, por favor».

Observa o que acontece ao longo de vários serões. Procura um profissional se repetidamente não consegues começar o plano, continuas a abandoná-lo para consumir, escondes o que aconteceu, falhas responsabilidades por causa das horas difíceis ou precisas de mais apoio do que os teus contactos podem dar. Podes dizer: «A vontade de consumir durante o serão está repetidamente a sobrepor-se ao plano que preparei. Preciso de ajuda para rever o que acontece antes de consumir e que apoio devo organizar». Pergunta ao profissional sobre sintomas, abstinência ou qualquer questão relacionada com o tratamento. Se houver risco de sobredosagem, sintomas graves de abstinência, violência ou outro perigo imediato, procura ajuda profissional ou de emergência de imediato.

Reconstruir a confiança sem exigir perdão imediato

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Quando uma dependência afeta uma relação, podes sentir pressão para reparar tudo de uma vez. Uma resposta demorada pode parecer rejeição. Uma pergunta cautelosa pode soar a acusação. Podes começar a explicar, a prometer ou a perguntar se já recebeste o perdão da outra pessoa. Faz uma pausa antes de responder. A outra pessoa pode perceber que estás a tentar e continuar a sentir raiva ou incerteza. A cautela dela não anula o teu esforço, e o teu esforço não exige que ela confie em ti imediatamente.

Antes de pedir desculpa, escreve três coisas: o que fizeste, como isso afetou a outra pessoa e o que vais fazer de forma diferente hoje. Retira explicações que transfiram a responsabilidade para o stress, a vontade de consumir ou o comportamento de outra pessoa. Se a vergonha dificulta a clareza, lê o rascunho à pessoa que te acompanha num grupo de recuperação, ao teu terapeuta, ao grupo ou a outra pessoa de confiança. Pergunta: «Isto reconhece o impacto ou estou a pedir que me tranquilizem?». Pede desculpa quando conseguires ouvir sem discutir a resposta da outra pessoa.

Podes dizer: «Peço desculpa por ter quebrado o nosso acordo e por te ter escondido isso. Compreendo que ficou mais difícil acreditares em mim. Estou a trabalhar para ser honesto mais cedo, mesmo quando penso que isso te poderá desiludir. Não tens de responder agora». Se não te lembras de todos os detalhes, não preenchas as lacunas com suposições. Diz: «Não quero fingir que me lembro com clareza. Ainda assim, posso assumir a responsabilidade pelo efeito que isto teve em ti».

Depois de pedir desculpa, escolhe uma pequena ação que a outra pessoa possa observar. Cumpre uma hora combinada, dá notícias antes de mudar planos, respeita um pedido de espaço ou admite um erro sem esperar que te confrontem. Pergunta: «Que acordo tornaria o contacto comigo mais previsível?». Não prometas uma transformação completa nem um prazo para recuperar a confiança. Se não conseguires cumprir um acordo, diz isso assim que souberes: «Não consigo fazer hoje o que prometi. Estou a dizer-te agora em vez de esconder. Podemos combinar um passo mais pequeno?».

A primeira tentativa pode não correr bem. A outra pessoa pode recusar falar, questionar as tuas intenções ou lembrar promessas anteriores que não cumpriste. Não repitas o pedido de desculpa até se tornar pressão. Podes responder: «Percebo que ainda não queres falar sobre isto. Vou respeitar isso e concentrar-me em cumprir o acordo que fiz». Se começares a reagir na defensiva, interrompe a conversa: «Estou a começar a discutir em vez de ouvir. Preciso de fazer uma pausa e falar sobre isto com a pessoa que me acompanha na recuperação. Não vou pressionar-te para responderes esta noite». Depois, cumpre o que disseste sem usar a pausa para castigar ou desaparecer.

As tuas circunstâncias podem mudar a forma de mostrar que és alguém com quem se pode contar. Se vives sem companhia, mantém um registo escrito das promessas e revê-o com a pessoa que te acompanha na recuperação ou com alguém de confiança, para que assumir responsabilidade não dependa da vigilância da família. Se a família vive longe, combina uma hora realista para mensagens em vez de esperar respostas imediatas. Se trabalhas por turnos, indica um período concreto para contacto e avisa antecipadamente quando o trabalho o alterar. Se o dinheiro é pouco, ensaia conversas difíceis com a pessoa que te acompanha, o grupo de recuperação ou alguém de confiança, em vez de acrescentar apoio pago. Se tu e a outra pessoa usam línguas diferentes, mantém as frases curtas e pede respostas por escrito. Podes dizer: «Quero ter a certeza de que te compreendo bem. Escreve o ponto principal, por favor, e vou rever a minha resposta antes de a enviar».

Um contratempo não precisa de se tornar um novo segredo. Se quebrares um acordo, identifica isso antes de fazer outra promessa: «Disse que te ia contactar e não o fiz. Compreendo por que isso afeta a tua confiança. Vou falar sobre o que aconteceu com o meu grupo de recuperação antes de sugerir outro plano». Assumir responsabilidade é perguntar que ação é necessária a seguir. Castigar-te é repetir que és uma má pessoa sem mudar o que acontece. Quando a vergonha ou a vontade intensa aumentam depois de uma conversa difícil, fala sobre elas com a pessoa que te acompanha na recuperação, o teu terapeuta, o grupo ou alguém de confiança, em vez de pedir à relação um alívio imediato.

Procura um profissional quando observas um padrão repetido: todas as conversas se tornam discussões, continuas a enviar mensagens depois de te pedirem para parar, a vontade de consumir aumenta antes ou depois do contacto, voltas a esconder informação ou até pequenos acordos falham repetidamente. Leva um exemplo recente ao teu terapeuta e pergunta: «Que parte desta interação devo gerir de outra forma?». Diz à pessoa que te acompanha na recuperação: «Preciso de ajuda para fazer uma promessa que consiga realmente cumprir». Se o contacto direto continua a afastar-te dos compromissos de recuperação, pergunta ao teu terapeuta como estabelecer um limite mais seguro. Escreve o próximo passo combinado antes de voltares a contactar a outra pessoa.

Apoio nas dependências no dia a dia

O álcool, as drogas, a nicotina, os jogos de azar e as apostas online, os videojogos, o uso do telemóvel e das redes sociais ou o consumo compulsivo de pornografia podem começar a ocupar o lugar do sono, do trabalho, do dinheiro, das relações e de outros interesses. Podes notar segredo, tentativas repetidas de reduzir ou decisões que mudam quando surge um impulso. São padrões que vale a pena descrever sem os transformar num julgamento sobre quem és.

A HelpClinic disponibiliza exercícios breves de autoajuda, um guia de IA que sugere a próxima ferramenta e ajuda a criar uma rotina diária, e sessões com um profissional mediante marcação. Complementa a terapia, o tratamento e o acompanhamento pelo teu médico de família ou outro médico, sem os substituir.

Álcool
400 milhõesde pessoas com 15 ou mais anos, em todo o mundo, viviam com perturbações por uso de álcool em 2019: 7% dessa população, segundo o relatório da WHO de 2024
Entre consultas
Rotina diáriaO guia de IA sugere exercícios breves para os próximos dias. Não é um terapeuta nem um serviço de apoio em crise.
Tratamento relacionado com drogas
1 em cada 12pessoas com perturbações por uso de drogas, em todo o mundo, recebeu algum tratamento relacionado com drogas em 2024, segundo o World Drug Report 2026

Um pensamento que pode surgir nesta situação: «Não precisava de mais uma aplicação para contar dias. Precisava de algo que me ajudasse a atravessar esta noite.»

Reconhecer o primeiro sinal e planear o próximo passo

Começa por ver como estás

Conta o que mais te custa hoje: a vontade intensa, a vergonha ou um serão sem companhia. Escolhe um espaço reservado e avança ao teu ritmo.

Ferramentas para o momento difícil

Exercícios de respiração, propostas de escrita num diário e técnicas de TCC e ACT informados pela investigação, disponíveis quando precisares.

Rotinas diárias, passo a passo

O apoio guiado por IA escolhe a próxima ferramenta e organiza a tua rotina diária. Podes optar por apoio profissional quando precisares.

Marca uma sessão individual

Quando a autoajuda não chega, podes marcar uma sessão individual com um profissional para um horário disponível. A disponibilidade das sessões depende do país e da entrada em funcionamento do serviço.

Perguntas frequentes

A HelpClinic substitui a terapia ou o tratamento das dependências?

Não. A HelpClinic disponibiliza apoio diário e ferramentas de autoajuda antes das sessões marcadas e entre elas. Podes usá-las no momento e marcar uma sessão individual com um profissional para um horário disponível. Não substitui a terapia, o tratamento nem a ajuda de emergência.

O que é o «guia de IA»? É um terapeuta?

O apoio guiado por IA escolhe a próxima ferramenta e organiza a tua rotina diária. Não é um terapeuta nem um serviço de apoio em crise e pode não reconhecer uma crise. Em Portugal, o número de emergência é o 112. Noutro país, use o número de emergência local.

O serviço é anónimo?

O registo não é anónimo e exige dados pessoais. Os dados podem ser tratados por pessoal autorizado e partilhados com profissionais ou por obrigação legal. É importante ler a política de privacidade antes de criar conta.

Quanto custa?

A HelpClinic tem um plano gratuito e planos pagos opcionais. O plano gratuito dá acesso a parte da biblioteca de ferramentas. A subscrição não inclui sessões com um profissional, e a disponibilidade dessas sessões depende do país e da entrada em funcionamento do serviço. Antes de subscrever ou marcar uma sessão, é importante verificar as funcionalidades incluídas, o preço total e as condições de pagamento.

E se tiver uma recaída?

Uma recaída pode acontecer e não apaga o trabalho que já fizeste. Depois de assegurada a segurança imediata, a HelpClinic pode ajudar-te a registar o que aconteceu e a preparar o próximo passo concreto, sem julgamentos.

O que posso fazer quando as apostas, os videojogos ou as redes sociais dominam o meu serão?

Dificulta o acesso antes da hora em que o impulso costuma surgir e planeia o que vais fazer nos primeiros minutos. Termina a sessão, remove os dados de pagamento guardados, deixa o dispositivo noutra divisão ou vai para um local partilhado, escolhendo apenas passos seguros para ti. Regista o tempo e o dinheiro gastos e o que ficou por fazer. Depois, conta a alguém em quem confies o que observaste. Se o padrão continua a afetar o sono, o trabalho, o dinheiro ou as relações, fala com o teu médico de família, outro médico ou outro profissional.

Quando devo procurar ajuda para o consumo compulsivo de pornografia?

Fala com um profissional quando o tempo passado a ver pornografia ultrapassa repetidamente os limites que definiste ou interfere no sono, no trabalho, no dinheiro ou nas relações. Procura ajuda também se o segredo aumenta ou as tentativas repetidas de reduzir não se mantêm. A vergonha ou a reprovação moral, por si só, não demonstram um problema clínico. Leva detalhes observáveis sobre quando acontece, quanto tempo dura, o que fica por fazer e o que já tentaste.

Como responder quando alguém me pressiona a consumir ou a participar?

Estabelece um limite breve e afasta-te se a pressão continuar. Podes dizer: «Não, não vou fazer isso» ou «Não me envies ligações para apostas nem me convides para jogar». Não deves uma explicação completa a ninguém. Contacta alguém em quem confies, afasta-te da substância, do dispositivo ou do local e, mais tarde, avalia se o contacto com essa pessoa torna mais difícil cumprir o teu plano.

Por onde começar se quero ajuda profissional para uma dependência?

Em Portugal, podes procurar apoio no teu médico de família ou nos serviços especializados indicados pelo ICAD. Confirma com o serviço como fazer o primeiro contacto e que apoio está disponível na tua situação.

Que perguntas podem ajudar numa conversa sobre recuperação?

Perguntas úteis para uma conversa sobre recuperação centram-se num momento, numa situação que despertou o impulso ou numa escolha. Por exemplo: o que aconteceu antes de surgir a vontade, o que te ajudou a esperar e quem podes contactar hoje. A HelpClinic pode ajudar-te a transformar uma dessas perguntas numa rotina breve entre sessões.

HelpClinic

Sentes que a situação te ultrapassa?

Se estás em perigo imediato em Portugal, liga agora para o 112. Se estás a pensar em suicídio e precisas de apoio, liga para o 1411; se há risco imediato de te magoares, liga para o 112. Noutro país, usa os serviços locais adequados. A HelpClinic não é um serviço de emergência.

Serviços de emergência

112

Linha Nacional de Prevenção do Suicídio e Apoio Psicológico (SNS / SPMS)

1411

Estes são contactos de serviços externos à HelpClinic em Portugal. Emergência: 112. Apoio psicológico e prevenção do suicídio: 1411.

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