
Como lidar com uma rejeição e voltar ao trabalho
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Uma rejeição pode chegar por email, numa mensagem breve ou através de um silêncio seguido da confirmação de que outra pessoa foi escolhida. Podes ter vontade de desistir, defender o trabalho, comparar-te com quem conseguiu ou apagar a candidatura antes que alguém a mencione. Dá-te um prazo sem tomar decisões importantes, talvez até à manhã seguinte. Diz exatamente o que estás a sentir: «Sinto desilusão e vergonha» ou «Sinto raiva porque queria muito esta oportunidade». Dar um nome à emoção permite responder a algo concreto, em vez de tratar todo o acontecimento como uma prova de quem és.
Depois, reduz a intensidade física antes de decidir o que a rejeição significa. Expira devagar dez vezes, vai dar um passeio ou toma um duche. Guarda a resposta nos rascunhos e coloca o trabalho rejeitado num local onde não o apagues por impulso. Se precisares de contacto, envia uma mensagem direta a alguém de confiança: «Recebi uma recusa hoje e está a custar-me muito. Ainda não preciso de conselhos. Podes ficar um pouco ao telefone comigo?» Também podes dizer: «Amanhã, lembra-me de que decidi não desistir nem apagar nada esta noite». Não respondas à galeria, à equipa de casting ou à editora no pico da emoção.
Quando a intensidade diminuir, divide uma folha em «factos» e «história». Nos factos, escreve apenas o que poderias mostrar a outra pessoa: «Esta galeria, equipa de casting ou editora recusou esta candidatura». Na história, escreve as conclusões que a tua mente acrescentou: «Nunca ninguém vai querer isto», «Toda a gente está à minha frente» ou «Não sou artista». Depois, acrescenta pelo menos duas outras explicações possíveis, sem te exigir otimismo. Podes escrever: «O trabalho pode não se ter enquadrado», «Pode ter havido poucas vagas» ou «Podem estar a seguir outra orientação para a programação». Termina com: «Não conheço todos os motivos, por isso não vou transformar a minha pior hipótese num facto».
Se for preciso responder, espera até conseguires ler a resposta sem acrescentar uma discussão, um pedido de desculpa ou um pedido de confirmação do teu valor. Uma resposta simples pode ser: «Agradeço a informação e o tempo dedicado a considerar o meu trabalho». Se pedir comentários for adequado e bem-vindo, tenta: «Agradeço terem considerado o meu trabalho. Se puderem partilhar algum comentário breve, será muito útil recebê-lo». Se escrever isto fizer regressar imediatamente o pico emocional, não envies a mensagem e volta a ela depois da pausa que definiste para as decisões. Se não for necessária uma resposta, podes fechar o email sem escrever nenhuma.
Volta a criar através de quinze minutos de trabalho que não estejam ligados a corrigir a obra rejeitada. Organiza materiais, faz um esboço, pratica uma escala ou escreve três imagens que te ocorram. Define um temporizador e termina quando tocar, mesmo que surja energia. Assim, evitas que a tarefa se transforme noutro teste ao teu valor. Se ficares sem conseguir agir quando o temporizador começar, reduz a tarefa à menor ação visível, como abrir o documento, colocar os materiais na mesa ou fazer um traço. Se isso também não resultar, para e repete amanhã o mesmo pequeno regresso. Não compenses forçando uma sessão longa mais tarde.
Adapta o plano à vida que realmente tens. Se vives sem companhia ou não tens família por perto, combina contacto com uma pessoa amiga, outro artista ou alguém que possa acompanhar-te por telefone enquanto passa a primeira vaga de emoções. Envia: «Estou sem companhia esta noite, depois de uma rejeição. Podemos falar antes de eu ir dormir?» Se trabalhas por turnos, «até à manhã seguinte» pode significar até teres dormido e chegado ao próximo momento em que estejas com descanso suficiente, e não uma hora específica. Se o dinheiro é pouco, usa a folha, o temporizador, o passeio, o duche e uma conversa gratuita com alguém que já conheces. Se a língua for uma barreira, escreve os factos e a história na língua em que te expressas mais diretamente. Antes de enviar uma resposta profissional, pede a alguém de confiança que confirme se as palavras dizem o que pretendes.
Por vezes, a primeira tentativa não faz diferença. Podes continuar a abrir a mensagem, a ver o trabalho de outros artistas, a reescrever uma resposta defensiva ou a olhar para os materiais sem começar. Entende isso como um sinal para regressar ao passo anterior, e não como mais um fracasso. Afasta a mensagem da vista, repete as expirações lentas e diz: «Ainda sinto demasiada agitação para decidir alguma coisa sobre o meu trabalho». Pede uma forma de apoio mais específica: «Ajuda-me a manter este email fechado esta noite» ou «Podes ficar comigo enquanto preparo os materiais?» Torna a próxima ação mais pequena e deixa a obra rejeitada inalterada até conseguires olhar para ela sem agir no pico da emoção.
Procura um profissional de saúde mental quando observares que a rejeição perturba repetidamente o sono, as refeições, os cuidados básicos, o trabalho remunerado ou o contacto com outras pessoas, ou quando surgirem pensamentos de te magoares. Regista concretamente o que tem acontecido e diz: «Desde esta rejeição, tenho saltado refeições, perdido sono e tido dificuldade em fazer tarefas básicas. Preciso de ajuda para criar um plano para o tempo entre consultas». Se ainda não tens acompanhamento profissional, pede a alguém de confiança que fique contigo enquanto procuras e contactas um profissional. Se pensas que podes agir sobre pensamentos de te magoares, não fiques sem companhia enquanto procuras ajuda local imediata.








