
Como atravessar uma onda de luto
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Uma onda de luto pode chegar enquanto faz compras, termina o trabalho, acorda, ouve uma canção familiar ou repara numa data marcante no calendário. De repente, pode deixar de conseguir acompanhar uma conversa ou decidir o que fazer a seguir, enquanto as pessoas à sua volta continuam com a sua vida. Não tem de compreender essa onda de imediato. Adie as decisões que podem esperar e dê um nome ao momento: «Isto é uma onda de luto. Está a ser muito difícil agora.»
Pouse os dois pés no chão ou encoste as costas a uma cadeira. Repare na pressão dos pontos em que o corpo toca naquilo que o sustenta. Se estiver de pé, sinta os sapatos no chão ou apoie uma mão numa superfície firme. Diga: «O chão está debaixo de mim. A cadeira sustenta-me. Posso ficar aqui neste momento.» Assim, dá à sua atenção um ponto concreto onde se apoiar enquanto a emoção é intensa.
Respire sem esforço, inspirando suavemente e deixando a expiração durar um pouco mais. Repita seis vezes, sem tentar respirar muito fundo. Depois, procure três objetos e descreva mentalmente a cor, a forma e a posição de cada um: «A chávena é azul e está ao lado do lava-loiça. O candeeiro é redondo e está do outro lado da sala.» Se contar as respirações for difícil, não conte e passe aos objetos. Também pode dizer: «Preciso de um minuto de sossego antes de continuar.»
Escolha uma ação para os próximos dez minutos. Beba água, sente-se junto a uma janela, envolva-se numa manta ou envie uma mensagem a alguém: «Estou a passar por um momento difícil. Podes ficar comigo um bocadinho?» Diga concretamente o que ajudaria. Pode acrescentar: «Não preciso de conselhos. Fica ao telefone enquanto estou aqui», ou: «Podes enviar-me uma mensagem e esperar pela minha resposta?» Não planeie o dia inteiro quando a onda estiver mais intensa.
Se a primeira tentativa não ajudar, mude a forma de apoio em vez de insistir no mesmo exercício. Deixe de contar as respirações e descreva o que vê. Se ficar sem se mexer for insuportável, levante-se e sinta o chão debaixo dos pés. Se ficar a sós com os seus pensamentos tornar o momento mais difícil, contacte alguém e diga: «O exercício para me ligar ao que está à minha volta ainda não está a ajudar. Fala comigo sobre uma coisa do dia a dia e fica comigo.» Pode repetir a sequência sem esperar que a emoção desapareça.
Se vive sem companhia, não tem de enviar a mensagem a um familiar. Pode pedir a uma amizade, a alguém da vizinhança ou do trabalho: «Estou sem companhia e o luto está a ser muito difícil. Tens disponibilidade para ficar ao telefone um bocadinho?» Se trabalha por turnos, pense em alguém que costuma estar acordado quando termina o trabalho ou prepare uma mensagem: «Não precisas de responder já, mas, quando vires isto, pergunta-me como estou.» Se o dinheiro é pouco, use o que já tem: uma cadeira, água, uma manta, uma nota escrita e o contacto com alguém em quem confia. Se o português dificultar a conversa, diga: «Está a ser difícil encontrar as palavras em português. Podemos falar espanhol nesta conversa?» Substitua o espanhol pela língua de que precisa.
Quando a onda abrandar, mesmo que só um pouco, anote onde estava, o que acontecia antes de ela chegar, o que tentou e o que ajudou. Uma nota curta chega: «A canção na loja trouxe o luto de volta. Sentar-me lá fora e telefonar a Sam ajudou-me a manter a ligação ao presente.» Guarde a nota num sítio onde a possa encontrar durante outra onda. Antes de uma data marcante ou de outro momento que antecipe como difícil, envie esta mensagem a alguém: «Amanhã pode ser difícil para mim. Podemos combinar que te contacto se vier uma onda?»
Leve as suas notas a um profissional de saúde mental se as ondas impedirem repetidamente o sono, a alimentação, o trabalho, a ida às aulas, os cuidados pessoais ou as tarefas habituais fora de casa. Procure também esse apoio se os exercícios que costuma usar deixarem de ajudar, se evitar cada vez mais atividades por receio de outra onda ou se precisar repetidamente de outra pessoa para sentir segurança. Pode dizer: «As ondas de luto estão a interromper a minha vida diária. Aqui está quando acontecem, o que tentei e o que já não está a resultar.» Se sentir que pode estar em perigo, contacte imediatamente os serviços de emergência locais ou uma linha de apoio em crise. Se não conseguir fazer esse contacto sem ajuda, envie uma mensagem: «Posso estar em perigo. Fica comigo enquanto contacto os serviços de emergência ou uma linha de apoio em crise.»





