
Como aliviar as saudades sem fugir da nova vida
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As saudades de casa podem surgir depois de um momento banal: termina uma chamada para casa, ouve a sua língua numa loja ou parece que toda a gente à sua volta compreende um costume em que ainda precisa de pensar. Esse sentimento pode puxar em duas direções: voltar já ou deixar de pensar em casa. Num serão difícil, faça uma pausa antes de seguir qualquer desses impulsos. O exercício dos «dois lugares» ajuda a dar espaço ao que sente sem perder de vista a nova vida.
Pegue numa folha, programe um temporizador para cinco minutos e divida a página em duas colunas: «do que sinto falta» e «o que estou a construir aqui». Durante esse tempo, escreva sem se corrigir nem decidir qual dos lados deve ser mais importante. Quando o tempo terminar, leia ambas as colunas uma vez. Na primeira, faça um círculo à volta do que pesa mais esta noite. Na segunda, assinale algo que seja viável esta semana. Estas serão as suas duas próximas ações.
Na primeira coluna, identifique o que realmente faz falta: o cheiro de uma cozinha familiar, falar a sua língua, uma rotina ou alguém a quem não precisa de explicar tudo. Ao lado de cada item, escreva uma pequena forma de manter a ligação que dependa de si. Envie: «Hoje tenho sentido saudades de casa. Podemos escolher um dia e uma hora para conversar sem pressa esta semana?» Ou diga: «Podemos falar na nossa língua nesta chamada? Hoje não tenho energia para continuar a traduzir tudo o que quero dizer.» Pode também cozinhar um prato familiar ou voltar a ouvir uma mensagem de voz. O objetivo é manter a ligação, sem tentar recriar a vida que tinha antes.
Se a primeira tentativa não ajudar, observe o que não funcionou. Talvez ninguém tenha respondido, a chamada tenha sido apressada ou o prato familiar tenha intensificado as saudades. Escolha uma alternativa mais pequena em vez de abandonar a coluna: envie uma mensagem que não exija resposta imediata, marque outra chamada ou escreva o que queria dizer. Se um familiar usar a chamada para pressionar o seu regresso, diga: «Tenho saudades tuas, mas não vou tomar essa decisão esta noite. Podemos falar de coisas do dia a dia durante um pouco?» Termine a chamada se esse limite não for respeitado e procure outra forma de ligação.
Na segunda coluna, escolha uma parte da nova vida à qual queira dar uma oportunidade esta semana. Comece por algo pequeno: caminhar por um percurso diferente, participar numa aula local ou convidar alguém do trabalho para um café. Escreva o dia e a hora exatos e acrescente o primeiro passo prático, como verificar o percurso ou enviar o convite. Experimente: «Queres tomar um café comigo esta semana?» Numa aula, diga: «É a primeira vez que venho. Posso sentar-me ao teu lado?» Se ninguém responder ou o plano não se concretizar, convide outra pessoa ou mantenha um compromisso mais simples consigo.
Se vive sem companhia, deixe a folha num sítio visível e combine com alguém um breve contacto relacionado com a ação escolhida. Pode enviar: «Esta noite estou com saudades de casa. Podes mandar-me uma mensagem depois do passeio para me ajudar a cumprir o plano?» Se a família não está por perto, ou se contactar familiares não parece possível, inclua na primeira coluna uma amizade antiga, alguém da antiga vizinhança ou outra pessoa de confiança. Se trabalha por turnos, planeie para o próximo período em que estará sem trabalhar e com energia, em vez de assumir que tem de ser ao serão. Escreva na mesma o dia e a hora exatos, para que a ação não fique perdida num «mais tarde».
Se o dinheiro é pouco, escolha ações que não impliquem novas despesas: use ingredientes que já tem, envie uma mensagem de voz, faça o passeio planeado ou encontre-se com alguém sem comprar nada. Quando a língua é a barreira, escolha uma atividade menos exigente e prepare uma frase antes de sair de casa. Pode dizer: «Ainda estou a aprender inglês. Pode falar mais devagar ou escrever isso?» Se falar parece demasiado difícil nesse dia, comece por um percurso conhecido ou por um lugar onde possa passar algum tempo sem precisar de manter uma conversa longa.
Quando as saudades voltarem a apertar, dê-lhes um nome: «Isto são saudades, não uma ordem.» Olhe para a folha e dê um passo de cada coluna. Se ambas as ações parecerem demasiado grandes, reduza-as. Escreva a mensagem antes de decidir se a envia. Ponha o passeio no calendário antes de o fazer. Na HelpClinic, guarde esta rotina de duas frentes para os serões difíceis e registe o que aconteceu com palavras simples: «Senti saudades, experimentei estas ações e, depois, consegui ou não consegui continuar o meu serão.» Pode levar esse registo para uma conversa com um profissional de saúde mental.
Procure um profissional de saúde mental quando perceber que as saudades estão repetidamente a mudar o que faz: falta ao trabalho ou às aulas, evita todos os contactos locais, deixa refeições ou a higiene por fazer, perde sono ou nota que as ações das duas colunas já não ajudam a continuar as tarefas habituais. Diga: «Vivo longe de casa e as saudades estão a afetar o meu dia a dia. Experimentei planear contactos com pessoas de casa e pequenas atividades aqui, mas continuo a isolar-me e a deixar por fazer coisas de que preciso.» Se a língua dificultar a conversa, acrescente: «Preciso de apoio linguístico para conseguir explicar-me com clareza. O que podem disponibilizar?» Se o dinheiro for uma barreira, diga: «Antes de marcar, preciso de saber quanto teria de pagar.» Se pensa que pode magoar-se ou não consegue manter-se em segurança, interrompa o exercício e procure ajuda imediata junto dos serviços de emergência do país onde está. Diga claramente a um profissional o que se passa e peça a alguém de confiança que fique consigo enquanto procura ajuda.





